Suprimentos não é uma área. É um processo.
por Equipe Holmes em 28/05/2026
A frase do titulo desse artigo, pode parecer simples, mas ela carrega uma mudança de mentalidade que a construção civil brasileira ainda está aprendendo a fazer.
Luis Gustavo Linhares Boaventura, Superintendente de Gestão e Excelência Operacional no Grupo SteelCorp, foi direto ao ponto durante sua palestra no evento Grua Insights, em maio de 2026: enquanto as construtoras continuarem tratando como uma área fechada em si mesma, vão continuar perdendo dinheiro, atrasando obras e travando contratos por motivos que poderiam ser evitados.
Este artigo parte do que foi discutido nessa palestra e aprofunda os conceitos para quem quer transformar a gestão de em vantagem competitiva.
O problema começa antes de suprimentos
A primeira provocação de Luis Gustavo é sobre onde o processo começa e a resposta surpreende:
"Suprimentos é um processo que começa no projeto. Se o projetista desenha algo que é difícil de comprar, que é caro, que tem poucos fornecedores, eu já estou atrapalhando toda a minha cadeia de produção."
Luis Gustavo Boaventura
Grupo SteelCorp · Grua Insights 2026
Isso significa que a visão tradicional, começa quando a requisição chega, já nasce com um defeito estrutural.
O processo real começa muito antes: no projeto, no orçamento, no planejamento. E se essas áreas não conversam, herda o problema e não tem como resolvê-lo sozinho.
Tratar suprimentos como área isolada é construir uma ponte que não leva a lugar nenhum.
A metáfora usada na palestra é poderosa: a Ponte de Choluteca, em Honduras, foi construída com tecnologia de ponta e sobreviveu a um furacão devastador em 1998.
O problema? O rio mudou de curso. A ponte ficou intacta, mas não conectava mais nada.
É exatamente o que acontece com áreas de bem organizadas dentro de empresas com processos fragmentados. Robustez interna, mas desconectada do restante da operação.
As seis dores de quem ainda opera como área
Luis Gustavo listou na palestra as dores mais comuns que encontrou ao chegar no Grupo SteelCorp e que permeiam a maioria das construtoras que ainda pensam em como departamento:
- Falta de informação confiável: ninguém sabe o status do pedido em tempo real
- Falta de rastreabilidade: o processo atrasou, mas ninguém sabe em qual etapa nem por quanto tempo
- Atraso nas contratações: morosidade para mobilizar o empreiteiro no momento certo
- Demora nas aprovações: pedido pronto, aprovador sem notificação, obra parada esperando
- Dados não confiáveis de fornecedores: FVS preenchida incorretamente alimenta indicadores errados
- Silos entre áreas: não conversa com orçamento, jurídico ou planejamento
O resultado prático: 77% das grandes obras atrasam.
A maior parte estoura o orçamento e em 20 anos, a produtividade da construção civil brasileira cresceu apenas 0,4 pontos percentuais.
Não falta mão de obra. Falta processo.
"Gestor bom pede processo, ferramenta e automação. Gestor ruim pede gente. Para e pensa o processo — isso faz toda a diferença."
Luis Gustavo Linhares Boaventura
Grupo SteelCorp · Grua Insights 2026
O que muda quando suprimentos vira processo
Quando passa a ser encarado como um processo, que começa no projeto e termina no pagamento, algumas coisas mudam estruturalmente:
1. A requisição vira dado
Cada requisição tem um número. Esse número gera um contrato. O contrato mobiliza uma pessoa com CPF.
Esse CPF está ligado a uma linha orçamentária, a um cronograma, a documentos de segurança e a avaliações de qualidade. Tudo correlacionado, tudo rastreável.
Como Luis Gustavo demonstrou ao vivo durante a palestra, acessando o Holmes em tempo real para o público da Grua Insights, é possível clicar em um processo e ver todos os documentos vinculados àquela contratação: do contrato ao CPF do colaborador, do dia que entrou na obra ao dia que saiu.
"Eu consigo rastrear esse cara do dia que ele pisou na minha obra até o dia que ele saiu. E tenho ganho muitas ações judiciais trabalhando sobre esse conceito."
Luis Gustavo Linhares Boaventura
Grupo SteelCorp · Grua Insights 2026
2. O fornecedor deixa de ser problema e vira parceiro
Uma das viradas de mentalidade mais importantes da palestra foi sobre a relação com fornecedores.
O modelo antigo: cobrar documentação e excluir quem não entrega.
O modelo novo: pegar na mão, ensinar, desenvolver.
"Cara, vem aqui, eu vou te ensinar. Isso aqui é um ASO. Isso aqui é uma ficha de registro. Não é mais aquele papo de que só a Petrobras cobra isso. Todas as companhias hoje cobram essa organização."
Luiz Gustavo Linhares Boaventura
SteelCorp · Grua Insights 2026
Isso só é possível quando o processo está estruturado.
Quando tem rastreabilidade, consegue identificar qual fornecedor gerou mais problemas, e agir antes que o problema se repita.
3. Os dados alimentam decisões - não relatórios
O Grupo SteelCorp chegou a resultados concretos depois de digitalizar o processo de no Holmes:
- Mais de 107,5 milhões de reais contratados e adquiridos com rastreabilidade total
- 100% dos processos com aprovação formal e rastreável ponta a ponta
- Prazo médio de 13 a 35 dias para compra de material
- Lead time médio de 16 a 05 dias para contratação de serviços
Esses números não saem de planilha.
Saem de um processo orquestrado que captura dado em cada etapa e permite que a liderança tome decisões com informação real, em tempo real.
Por que a IA não funciona sem processo
Um dos pontos mais fortes da palestra foi a crítica ao discurso de "AI first" sem a base de processo estruturado:
"Tudo mundo falando de ser uma empresa AI first. Cara, se você não for processo, esquece. O maior risco da IA é potencializar o silo. Imagina o silo que já existe — agora com IA dentro de cada área."
Luis Gustavo Linhares Boaventura
Grupo SteelCorp · Grua Insights 2026
A lógica é direta: inteligência artificial só extrai valor de dados estruturados. Se os processos não estão mapeados, se os dados não estão correlacionados, a IA vai fazer perguntas certas dentro de um contexto errado.
No Grupo SteelCorp, a Enola, IA do Holmes, funciona justamente porque o processo já está orquestrado. Ela captura automaticamente notas fiscais do portal da SEFAZ, identifica o pedido correspondente e abre a tarefa para o time administrativo já com os dados preenchidos.
O operador não digita só valida.
Processo zero é pré-requisito para AI first. Sem dados estruturados, não há inteligência artificial — há silo digital.
Como estruturar suprimentos como processo na prática
A palestra de Luis Gustavo não foi só diagnóstico. Ele mostrou ao vivo o modelo que implementou no Grupo SteelCorp em 15 dias e os passos são replicáveis:
Passo 1: Mapeie o processo do início ao fim
Suprimentos começa no projeto e termina no pagamento. Mapeie cada etapa, defina responsável, prazo e o que é obrigatório para seguir. Elimine etapas que voltam para o mesmo lugar sem gerar valor.
Passo 2: Escolha uma plataforma que orquestra
A decisão do Grupo SteelCorp foi buscar uma plataforma de BPM com APIs abertas, que pudesse ser conectada ao ERP (Cenge), ao planejamento (Project) e a outras ferramentas sem criar dependência de um único fornecedor.
"Hoje para orquestrar processo, eu não conheço nenhuma ferramenta melhor que o Holmes. Mas se amanhã os caras vendem a empresa e param de me atender, eu posso desplugar e plugar outro. O dado é meu."
Luis Gustavo Linhares Boaventura
Grupo SteelCorp · Grua Insights 2026
Passo 3: Comece pequeno e rápido
Em 15 dias, com um consultor e um especialista de processo, o Grupo SteelCorp já tinha o fluxo de contratação de serviços e compra de materiais rodando. A resistência cultural existe, mas ela cede quando as pessoas percebem que o processo facilita o trabalho delas, não o elimina.
Passo 4: Deixe o dado retroalimentar
A FVS que o engenheiro preenche alimenta o indicador de qualidade do fornecedor. O prazo médio de contratação alimenta o planejamento. O histórico de documentação alimenta a defesa jurídica. Quando o processo está integrado, cada dado gerado hoje melhora a decisão de amanhã.
O que a construção civil tem a ganhar
A construção civil é o setor que mais tem a ganhar com a visão de como processo, e também o que mais resiste a ela.
São 77% de obras que atrasam. 1,6 trilhão de reais deixados na mesa por falta de produtividade. Um índice de digitalização que perde apenas para agricultura, pesca e caça.
A mudança não começa com tecnologia. Começa com a pergunta certa:
“Meu suprimentos é uma área que opera dentro do seu quadrado ou é um processo que conecta projeto, orçamento, obra e financeiro?”
Se a resposta for a primeira, a ponte está firme. Mas o rio já mudou de curso.
Perguntas frequentes sobre suprimentos e construção civil
Significa que compras não começa quando a requisição chega ao departamento, começa no projeto, no orçamento e no planejamento. Quando todas as áreas compartilham o mesmo fluxo de dados, suprimentos deixa de ser um gargalo e passa a ser um elo estratégico da operação.
Com processos mapeados, aprovações estruturadas por alçada, alertas automáticos e rastreabilidade de cada etapa da requisição ao pagamento. A falta de visibilidade é a principal causa de atraso e ela se resolve com processo, não com mais pessoas.
O ponto de partida é mapear o processo atual
- etapas
- responsáveis
- documentos obrigatórios
Com isso feito, escolher uma plataforma que orquestre esse fluxo de ponta a ponta, com APIs abertas que permitam integração com ERP, planejamento e financeiro. A implementação pode começar em semanas, não meses.
Com uma plataforma de gestão de processos, cada contrato fica vinculado ao fornecedor, ao CPF dos colaboradores mobilizados e aos documentos de segurança exigidos. Em qualquer auditoria ou ação trabalhista, o histórico completo está acessível em segundos.
Sim. O Holmes orquestra o processo de suprimentos de ponta a ponta, da requisição de compra ao pagamento da nota fiscal, com rastreabilidade total, aprovações por alçada, integração via API com ERPs do setor e validação automática de documentos por IA.
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