Em palestra no Grua Insights, Bruno Zampaglione, CIO do Holmes, apresentou um panorama honesto sobre como a IA está sendo aplicada nos processos do setor e onde ainda há mais expectativa do que resultado concreto.
IA na construção civil: entre o hype e a prática
A inteligência artificial entrou nas pautas estratégicas da construção civil. Eventos, congressos e publicações do setor dedicam cada vez mais espaço ao tema e por boas razões: o potencial de transformação é real.
Mas existe uma diferença importante entre o que a IA pode fazer e o que ela já faz na prática das construtoras brasileiras. Foi sobre essa diferença que Bruno Zampaglione, CIO do Holmes, falou no Grua Insights, evento voltado para lideranças do setor de construção industrializada.
"A IA não é mágica. Ela amplifica o que você já tem, se o processo é ruim, a IA vai executar o processo ruim mais rápido", afirmou Zampaglione durante a palestra.
A frase resume bem o ponto central da apresentação: tecnologia sem processo estruturado não resolve, acelera o problema.
Este artigo organiza os principais pontos abordados na palestra e os contextualiza para gestores e líderes da construção civil que estão avaliando, ou já implementando, iniciativas de IA em suas operações.
O que é inteligência artificial aplicada a processos
Antes de falar em aplicação prática, Bruno abriu a palestra definindo o que é IA de forma objetiva para o público da construção civil, um setor que, em sua maioria, ainda está na fase de entender o que a tecnologia pode fazer antes de decidir como usá-la.
Existem basicamente dois tipos de IA que importam para quem opera processos:
Para a construção civil, a IA agentiva é a mais relevante no curto prazo, porque é ela que resolve o problema real do setor: processos manuais, retrabalho e falta de rastreabilidade.
Bruno apresentou um dado que chamou atenção: enquanto 76% dos profissionais do setor já usam alguma ferramenta de IA individualmente, em geral para redigir e-mails, criar apresentações ou fazer pesquisas, apenas 28% das construtoras adotaram a tecnologia de forma institucional e estruturada.
Esse gap entre o uso individual e o uso institucional é o maior obstáculo para que a IA gere resultado real na construção civil.
Os motivos mais frequentes são:
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Onde a IA já gera resultado concreto na construção civil
A palestra foi cuidadosa em separar o que já funciona do que ainda está em fase experimental. Bruno listou as aplicações com maior retorno concreto para o setor:
Gestão documental com IA: A construção civil é intensiva em documentos: contratos com subcontratados, notas fiscais de materiais, certidões de fornecedores, laudos técnicos, projetos e aditivos. Tudo isso gera volume e risco.
A IA já consegue ler, classificar e extrair dados desses documentos automaticamente, sem digitação manual. Um contrato que chegava por e-mail e precisava ser conferido manualmente agora é processado pelo sistema, que extrai os campos relevantes, válida contra o pedido de compra e move o processo para a próxima etapa.
No Holmes, esse papel é da Enola, a IA da plataforma que age dentro dos fluxos de processo. Ela lê documentos, identifica inconsistências e avança etapas sem depender de intervenção humana.
Conferência de notas fiscais e validação fiscal: Outro ponto de alto retorno: a conferência de notas fiscais. Na construção civil, o volume de NF-e de fornecedores e subcontratados é alto e a conferência manual é sujeita a erro e lentidão.
Com IA, o sistema lê o XML da nota, confere os dados contra o pedido de compra, valida a situação fiscal do emitente e sinaliza divergências antes do lançamento. O financeiro recebe os dados já conferidos, sem precisar revisar linha por linha.
Controle de subcontratados e conformidade trabalhista: Um dos maiores riscos trabalhistas da construção civil está na gestão de subcontratados. Certidões vencidas, contratos sem renovação, CNDs desatualizadas, tudo isso gera passivo que aparece na pior hora: na auditoria ou na rescisão.
A IA já consegue monitorar vencimentos automaticamente, enviar alertas antecipados, bloquear pagamentos para prestadores com documentação irregular e manter o histórico auditável de cada fornecedor.
Aprovações e fluxos de compras: A IA agentiva consegue identificar quando uma aprovação está parada além do prazo, notificar o responsável automaticamente e acionar o substituto caso não haja resposta. O processo avança sem depender de quem está disponível.
Para compras periódicas, como materiais de limpeza, escritório, insumos recorrentes, a IA pode abrir a solicitação automaticamente na data programada, sem que ninguém precise lembrar de fazer isso.
O que ainda é promessa e exige cautela
Bruno foi direto sobre o que ainda não funciona bem o suficiente para ser adotado sem critério:
IA para gestão de obras em campo: sensores, drones e câmeras com IA para monitorar produtividade e segurança ainda têm alto custo de implantação e baixa maturidade operacional para a maioria das construtoras brasileiras.
Tomada de decisão autônoma em projetos: IA que decide sozinha sobre alterações de projeto ou realocação de recursos ainda é experimental. O julgamento humano é insubstituível em decisões com variáveis técnicas e de contexto.
Integração com sistemas legados: muitas construtoras operam com ERPs antigos e sistemas que não têm API aberta. Integrar IA nesses ambientes exige investimento e tempo que nem sempre são viáveis no curto prazo.
Como começar: o caminho prático para construtoras
A palestra encerrou com um roteiro prático para construtoras que querem começar a usar IA de forma estruturada, sem pular etapas.
O que ficou mais claro na palestra de Bruno Zampaglione no Grua Insights é que a inteligência artificial na construção civil não é uma aposta no futuro. É uma decisão do presente para quem está disposto a estruturar o processo antes de automatizá-lo.
O setor tem volume de documentos, alto custo de erro e processos intensivos em aprovações e conformidade. São exatamente as condições em que a IA agentiva gera mais resultado.
A questão não é se a construção civil vai adotar IA é quem vai fazer isso de forma estruturada e quem vai continuar automatizando o caos.
O Holmes usa IA dentro dos processos não ao lado deles.
A Enola, IA do Holmes, age dentro dos fluxos de gestão documental, compras e conformidade de construtoras sem precisar de intervenção manual em cada etapa. Conheça como funciona na prática.