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Gestão Just in Time: como reduzir desperdícios e aumentar a eficiência nas obras


 

  

A construção civil sempre foi um setor movido por prazos apertados, múltiplos fornecedores, equipes diversas e decisões que precisam ser tomadas o tempo todo. Em um cenário tão dinâmico, é comum que a operação funcione sob pressão constante.

Materiais chegam antes da hora e ficam parados no canteiro, insumos atrasam e acabam paralisando equipes inteiras, compras emergenciais viram rotina e o retrabalho, muitas vezes, é tratado como algo “normal” dentro da obra.

Mas será que precisa ser assim?

O que é Just in Time na prática?

O conceito de Just in Time surgiu na indústria japonesa, especialmente dentro do Sistema Toyota de Produção, desenvolvido pela Toyota no pós-guerra. A empresa precisava produzir com alta eficiência, mas sem manter grandes estoques, já que os recursos eram limitados. A lógica era simples, mas extremamente poderosa: produzir apenas o que é necessário, na quantidade necessária e exatamente quando é necessário.

Essa filosofia ficou conhecida mundialmente como parte do modelo da Toyota e transformou a maneira como as empresas organizam seus processos produtivos até hoje.

Na construção civil, o princípio é o mesmo, mas o desafio é maior.

Diferente de uma linha de produção fixa, cada obra é única. Cada projeto possui seu próprio cronograma, suas variáveis específicas, riscos climáticos, restrições logísticas, limitações de espaço no canteiro e fornecedores distintos. Isso exige um nível de controle e coordenação ainda mais rigoroso.

Aplicar Just in Time na construção significa:

  • Entregar materiais no momento exato da execução;

  • Evitar estoque excessivo no canteiro;

  • Reduzir capital imobilizado;

  • Conectar o planejamento físico-financeiro à realidade diária da obra;

  • Manter fluxo contínuo sem gargalos;

  • Reduzir decisões emergenciais;

  • Criar previsibilidade financeira.

Não se trata de “comprar menos”, trata-se de comprar melhor e no momento correto.

O Just in Time é, essencialmente, uma disciplina operacional, ele exige que a empresa tenha clareza sobre o que será feito, quando será feito e quais recursos serão necessários em cada etapa.

O custo invisível do desperdício nas obras

Muitas construtoras associam desperdício apenas à sobra de material. Mas na prática o desperdício é muito mais amplo e silencioso.

O desperdício se manifesta em materiais parados que se deterioram, compras antecipadas que ocupam espaço, equipes aguardando insumos, retrabalhos causados por desalinhamento e decisões atrasadas por falhas de informação. Ele também está na imprevisibilidade financeira e na falta de visibilidade sobre o risco operacional.

Aos poucos, a empresa se acostuma a trabalhar com margens comprimidas, prazos instáveis e equipes sobrecarregadas, mas com Just in Time essa lógica pode ser rompida.

Ele evidencia gargalos, revela desperdícios ocultos e obriga a operação a se organizar com base em dados concretos. Torna visível aquilo que antes era tratado como inevitável.

Leia também: Transformação digital na construção civil: conheça os desafios para a inovação

 

Improviso não é estratégia

Existe uma crença muito comum no setor: “obra sempre tem imprevisto”. De fato, variáveis existem, o que não pode existir é a dependência constante do improviso.

Compras emergenciais com fretes mais caros. Pedidos duplicados por falta de visibilidade. Materiais solicitados “por segurança”, sob a lógica de que é melhor sobrar do que faltar.

Empresas que operam no modo reativo gastam energia apagando incêndios. Gestores passam mais tempo resolvendo urgências do que planejando e a equipe trabalha sob pressão contínua.

A gestão Just in Time não elimina imprevistos, mas reduz drasticamente a necessidade de decisões reativas. Ela exige planejamento estruturado, atualização constante e comunicação integrada entre áreas.

Planejamento conectado à execução real

Um dos maiores desafios para implementar o Just in Time nas obras é a desconexão entre o que foi planejado e o que realmente está acontecendo no campo.

O cronograma aponta uma direção, mas no canteiro é outra coisa…

Quando não há atualização em tempo real, o planejamento perde relevância, e sem planejamento confiável, não há como aplicar JIT de forma consistente.

Para que funcione, é necessário:

  • Planejamento físico-financeiro estruturado;

  • Atualização constante do andamento da obra;

  • Integração entre engenharia, compras e financeiro;

  • Visibilidade compartilhada dos prazos e necessidades;

  • Indicadores claros de avanço físico;

  • Controle rigoroso de mudanças de escopo.

Quando planejamento e execução conversam, as compras deixam de ser baseadas em estimativas genéricas e passam a refletir a demanda real, é nesse ponto que a eficiência começa a ganhar forma.

Compras orientadas por necessidade

Em muitas obras, comprar antecipadamente é visto como proteção contra atrasos. O raciocínio parece lógico: “se o material já estiver aqui, não corre o risco de faltar”.

Mas essa lógica ignora custos ocultos:

  • Capital parado;

  • Risco de extravio;

  • Deterioração;

  • Mudanças de escopo;

  • Falta de espaço físico no canteiro;

  • Perda de controle financeiro.

Integração com fornecedores: previsibilidade gera parceria

O Just in Time exige fornecedores alinhados.

Quando há previsibilidade de demanda, os fornecedores conseguem se planejar melhor. Quando existe visibilidade do cronograma, os prazos se tornam mais confiáveis.

Sem integração, a relação vira tensão constante, o fornecedor trabalha sob pressão. A construtora cobra urgência e logística vira improviso.

Com integração, surge uma parceria estratégica ao ompartilhar previsões, estabelecer fluxos claros de solicitação e acompanhar entregas em tempo real cria um ambiente mais estável para todos. O resultado é menos atrasos, menos compras emergenciais, menor risco logístico e maior confiança na cadeia produtiva.

 

Fluxo contínuo: evitando o efeito dominó

Na construção civil, um pequeno atraso pode desencadear uma sequência de problemas.

Uma entrega atrasada impede o início de uma etapa, essa etapa impacta a próxima e o cronograma sai completamente da rota e equipe acelera para recuperar prazo, então o risco de erro aumenta, o retrabalho aparece e o custo sobe.

O Just in Time busca manter o fluxo contínuo.

Isso exige:

  • Sequenciamento inteligente das atividades;

  • Identificação dos gargalos críticos;

  • Monitoramento constante do andamento;

  • Revisões estruturadas do cronograma;

  • Ajustes rápidos baseados em dados.

Quando o fluxo é estável, a obra ganha ritmo, e ritmo significa produtividade.

 

Tecnologia como viabilizadora do Just in Time

Aplicar Just in Time em obras complexas usando apenas planilhas isoladas é, na prática, inviável.

A metodologia exige:

  • Atualizações constantes;

  • Integração entre áreas;

  • Rastreabilidade de decisões;

  • Alertas automáticos;

  • Visibilidade consolidada;

  • Indicadores estratégicos acessíveis.

Sem tecnologia, o controle se perde.

É nesse ponto que plataformas como o Holmes entram como infraestrutura operacional.

O Holmes conecta planejamento, execução, compras e controle em um único ecossistema. Assim, a demanda real da obra se reflete automaticamente nos fluxos internos.

Quando uma etapa avança, as próximas necessidades são atualizadas. Quando um prazo muda, os impactos se tornam visíveis e quando um pedido é feito, há rastreabilidade completa.

A tecnologia não substitui a gestão, ela sustenta a gestão.

Como o Holmes viabiliza o Just in Time na prática

Com o Holmes, a construtora consegue:

Planejamento conectado à execução
O cronograma deixa de ser um documento estático e passa a fazer parte da operação, com atualizações contínuas e visibilidade compartilhada.

Compras orientadas por necessidade
Solicitações são disparadas com base no andamento real da obra, reduzindo excessos e evitando urgências desnecessárias.

Integração com fornecedores e controle de prazos
Fluxos padronizados garantem acompanhamento, rastreabilidade e previsibilidade nas entregas.

Fluxo contínuo entre áreas
Engenharia, compras e financeiro trabalham com a mesma informação, eliminando desalinhamentos.

Visibilidade estratégica
A diretoria acompanha indicadores-chave e antecipa gargalos antes que se tornem crises.

Assim, o Just in Time deixa de ser conceito e se torna prática operacional.

 

Just in Time não é apenas redução de custos

É comum associar JIT apenas à economia, mas o ganho mais relevante é previsibilidade.

Quando a operação é previsível:

  • A margem é protegida;

  • O estresse operacional diminui;

  • O cliente recebe com mais confiança;

  • A equipe trabalha com mais foco e menos urgência;

  • A gestão decide com base em dados reais.

O erro mais comum ao tentar aplicar JIT

Muitas empresas tentam implementar Just in Time sem revisar seus próprios processos.

Automatizar um processo desorganizado apenas acelera o problema.

Antes de aplicar JIT, é preciso:

  • Padronizar fluxos;

  • Definir responsabilidades claras;

  • Estruturar indicadores;

  • Organizar a comunicação entre áreas;

  • Criar governança sobre mudanças de escopo.

Tecnologia potencializa organização, mas não substitui organização.

Eficiência é organizar e não apenas acelerar.

A gestão Just in Time não significa fazer tudo mais rápido a qualquer custo, significa fazer no momento certo, na quantidade certa e com base em informação confiável.

Ela exige planejamento estruturado, integração entre áreas, visibilidade operacional e tecnologia que sustente o fluxo. Quando aplicada com método e apoiada por ferramentas como o Holmes, transforma a maneira como a obra é conduzida.

E, no fim, previsibilidade é o que protege margem, reputação e crescimento sustentável. Se a sua construtora ainda opera no modo reativo, talvez não falte esforço, talvez falte estrutura e tecnologia



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